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    O RESULTADO DAS ELEIÇÕES PARA O GUARÁ

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    Não foi o que população guaraense gostaria, mas não foi de todo ruim o resultado das eleições deste ano para a cidade. Pelo menos garantiu uma representante na Câmara Legislativa, a deputada distrital reeleita Dayse Amarílio (PSB), e outro na Câmara dos Deputados, o deputado federal eleito Izalci Lucas (PL), que tem base eleitoral aqui. E vai poder também com as simpatias dos deputados distritais eleitos Fábio Félix e Rôney Nemer, que já moraram na cidade por muitos anos e continuam com fortes ligações com o Guará. Mas, considerando que a 9ª Zona Eleitoral tem 137 mil eleitores e 128 mil votaram no primeiro turno nestas eleições, o resultado poderia ser melhor para os candidatos locais. O que ficou claro é que não há ainda um sentimento de pertencimento, de bairrismo, por parte da população guaraense em relação à escolha de representantes locais para o parlamento. A preferência continua sendo por ideologia ou por outros interesses, de acordo com os números frios da votação.


    Dayse e Izalci foram os únicos eleitos entre os 17 candidatos identificados com vínculos com o Guará que disputaram vagas na Câmara Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado. Outros seis ficaram na condição de suplentes, enquanto nove não conquistaram mandato nem suplência nas respectivas legendas.
    O resultado mantém a presença de políticos ligados à cidade nas duas casas legislativas, mas também evidencia a dificuldade enfrentada por candidaturas locais para transformar votos em representação. Na disputa para deputado distrital, por exemplo, os 11 candidatos do Guará somaram 7.386 votos na 9ª Zona Eleitoral. O número corresponde a pouco mais da votação obtida individualmente por Max Maciel (PSOL), o deputado distrital mais votado do DF, que recebeu 5.578 votos na mesma zona.
    O levantamento considera os votos registrados na Zona 009 e o total de cada candidatura no Distrito Federal. A comparação permite observar tanto a capacidade de mobilização dos candidatos em sua região de origem quanto sua presença entre os eleitores das demais cidades.


    Dayse amplia votação e garante segundo mandato
    Moradora do Guará, enfermeira e integrante da atual legislatura da Câmara Legislativa, Dayse Amarilio conquistou a reeleição com 15.440 votos no Distrito Federal. Na 9ª Zona Eleitoral, recebeu 3.084 votos, o equivalente a aproximadamente 20% de sua votação total. O resultado representa um avanço em relação a 2022, quando foi eleita pela primeira vez com 11.012 votos em todo o DF. Em quatro anos, a parlamentar ampliou sua votação em 4.428 votos, crescimento de aproximadamente 40%.
    O avanço foi ainda mais expressivo no recorte regional. Em 2022, Dayse havia recebido 965 votos na Zona 009. Neste ano, foram 3.084, mais que o triplo da votação anterior. A diferença de 2.119 votos indica uma ampliação de sua presença eleitoral na região do Guará. Apesar desse crescimento, Dayse foi a candidata com a menor votação nominal entre os 24 deputados distritais eleitos. Sua vitória foi definida pelo sistema proporcional, no qual a distribuição das cadeiras considera não apenas os votos de cada candidato, mas também o desempenho eleitoral dos partidos e federações.
    A deputada conquistou a última vaga da composição da CLDF pelo cálculo das sobras eleitorais. O resultado ilustra uma característica do sistema brasileiro: candidatos com votações individuais superiores podem ficar de fora, enquanto outros conquistam mandato em razão da distribuição das cadeiras entre as legendas. Na Zona 009, Dayse também não liderou a preferência dos eleitores para deputado distrital. Entre os candidatos eleitos, ficou atrás de Max Maciel (PSOL), Múcio (PSB), Gabriel Magno (PT), Estefane Sampaio (Republicanos) e Keka Bagno (PSOL).


    Izalci retorna
    à Câmara Federal
    A outra vitória de uma candidatura ligada ao Guará foi a de Izalci Lucas (PL). Atual senador, ele recebeu 88.056 votos no Distrito Federal e conquistou uma das oito vagas da bancada brasiliense na Câmara dos Deputados. Na 9ª Zona Eleitoral, Izalci somou 6.737 votos, correspondentes a aproximadamente 7,6% de toda a sua votação no DF. Entre os oito deputados federais eleitos, foi o segundo mais votado na região, atrás apenas de Fábio Felix (PSOL), que recebeu 15.697 votos.
    A eleição marca o retorno de Izalci à Câmara dos Deputados, onde já exerceu mandato antes de conquistar uma cadeira no Senado em 2018. Sua trajetória pessoal e política mantém vínculos antigos com o Guará, cidade onde morou durante muitos anos, estudou e trabalhou. Embora não seja atualmente morador da região, Izalci conserva uma identificação histórica com a cidade. Sua votação na Zona 009 mostra que essa ligação continua presente entre uma parcela dos eleitores, mas também evidencia que seu resultado dependeu fundamentalmente do apoio obtido nas demais regiões administrativas.
    O desempenho do PL foi decisivo. O partido conquistou três das oito vagas do Distrito Federal na Câmara dos Deputados, elegendo Alberto Fraga, Thiago Manzoni e Izalci Lucas. Com isso, Izalci deixará o Senado ao término de seu mandato e assumirá uma cadeira na Câmara Federal em fevereiro de 2027.


    Fábio Felix lidera votação
    O resultado para deputado federal também teve como destaque Fábio Felix (PSOL), que recebeu 224.224 votos no Distrito Federal e terminou como o candidato mais votado para o cargo. Na Zona 009, Fábio obteve 15.697 votos, mais que o dobro dos 6.737 registrados por Izalci Lucas. A diferença demonstra a capacidade de mobilização do parlamentar na região, mesmo não integrando o grupo de 17 candidaturas locais considerado neste levantamento.
    Fábio Felix, que também possui vínculos com o Guará, recebeu no conjunto do Distrito Federal mais de 13% dos votos válidos para deputado federal. Sua votação individual superou a de todos os demais candidatos eleitos para a Câmara dos Deputados.
    A nova bancada federal do DF será composta por Fábio Felix (PSOL), Rafael Prudente (MDB), Alberto Fraga (PL), Thiago Manzoni (PL), Julio Cesar (Republicanos), Izalci Lucas (PL), Agnelo Queiroz (PT) e Professor Reginaldo Veras (PV). A composição reflete o peso das legendas na eleição proporcional. O PL terá três representantes, enquanto os demais partidos conquistaram uma cadeira cada. O resultado também revela que a classificação por votação individual não determina, isoladamente, quem será eleito. Candidatos que receberam mais votos que alguns eleitos ficaram sem mandato em razão da distribuição de vagas por partido ou federação.

    A disputa pelas
    vagas distritais
    A Câmara Legislativa também apresentou uma votação distribuída entre candidatos de diferentes partidos e regiões do Distrito Federal. Max Maciel (PSOL) liderou a disputa, com 92.234 votos na totalização consultada, seguido por Eduardo Pedrosa (União Brasil) e Chico Vigilante (PT). Outros nomes com votações expressivas foram Joaquim Roriz Neto (PL), Estefane Sampaio (Republicanos), Múcio (PSB), Gabriel Magno (PT) e Keka Bagno (PSOL).
    A presença desses candidatos entre os mais votados na Zona 009 demonstra que o eleitorado da região não concentrou suas escolhas apenas em políticos moradores do Guará. Esse comportamento é especialmente relevante para a análise da representação regional. Embora a cidade tenha apresentado 11 candidatos próprios à Câmara Legislativa, a votação ficou dividida entre eles e candidatos com bases políticas em outras localidades do Distrito Federal.
    A pulverização dos votos não explica sozinha o número de eleitos da região, já que a distribuição das cadeiras depende também do desempenho das legendas. Ainda assim, revela a dificuldade de transformar a identidade territorial em uma votação suficientemente ampla para conquistar mandatos.

    Delmasso lidera
    entre os não eleitos
    Entre os candidatos do Guará que disputaram a Câmara Legislativa e não conquistaram mandato, Rodrigo Delmasso (Republicanos) obteve a maior votação. Foram 14.642 votos no Distrito Federal, dos quais 1.760 registrados na Zona 009. O resultado o colocou na suplência do Republicanos. Apesar de sua trajetória política e da votação obtida, não conseguiu retornar à Câmara Legislativa. A comparação com 2022 revela uma redução de sua votação regional. Na eleição anterior, Delmasso havia recebido 3.745 votos na 9ª Zona Eleitoral. Em 2026, foram 1.760, queda de 1.985 votos, equivalente a aproximadamente 53%. A redução de Delmasso contrasta com o desempenho de Dayse Amarilio, que ampliou sua votação na mesma região. Os dois resultados mostram movimentos distintos entre candidaturas que já possuíam reconhecimento eleitoral no Guará.
    Também ficaram na suplência Fabiano Trompetista (PT), com 6.244 votos no DF e 606 na zona; Sandra Bacelar (PSD), com 1.478 votos no DF e 327 na zona; Marcelinho Carioca (Republicanos), com 2.494 votos no DF e 227 na zona; e Dennis Web (PSB), com 518 votos no DF e 209 na zona. A condição de suplente, contudo, não significa garantia de posse. Uma eventual convocação depende das regras da representação partidária ou da federação e da abertura de vagas durante a legislatura.

    Candidaturas com votação concentrada
    Os números da Zona 009 também revelam diferenças importantes no perfil das candidaturas ligadas ao Guará. Algumas conseguiram reunir a maior parte de seus votos na própria região, mas tiveram pouca repercussão fora dela. Foi o caso de Zuleika do Blog (DC), que recebeu 492 dos seus 649 votos totais na 9ª Zona. Isso significa que aproximadamente 76% de sua votação ficou concentrada no território abrangido pela zona eleitoral.
    Pastora Allana (Democrata) apresentou comportamento semelhante. Dos 153 votos recebidos no Distrito Federal, 93 vieram da Zona 009, representando cerca de 61% do total. Lau de Paula (Avante) também teve a maior parte de sua votação na região: 215 dos 378 votos obtidos no DF, aproximadamente 57%. Esses percentuais demonstram forte concentração territorial, mas não necessariamente uma base eleitoral numerosa. Nos três casos, a quantidade total de votos foi insuficiente para uma disputa competitiva pelas cadeiras da Câmara Legislativa.
    O comportamento foi diferente entre outros candidatos. Wilson Amigão (Avante), por exemplo, recebeu 195 votos na Zona 009, diante de 2.033 no Distrito Federal. Marcelinho Carioca (Republicanos) obteve 227 votos na região, de um total de 2.494. Em ambos os casos, menos de 10% da votação veio da Zona 009. Paulo Mineiro (Novo), com 178 votos na região e 578 no DF, também não foi eleito.
    A comparação evidencia que o vínculo com a cidade não se traduz necessariamente em concentração de votos no Guará. Alguns candidatos tiveram votações predominantemente locais, enquanto outros encontraram maior apoio fora da região.

    Policarpo fica
    na suplência federal
    Na disputa pela Câmara dos Deputados, quatro candidatos foram considerados no levantamento de nomes ligados ao Guará. Além de Izalci Lucas, concorreram Roberto Policarpo (PT), Coronel Moreno (PP) e Emílio Kerber (Novo). Policarpo alcançou 24.563 votos no Distrito Federal, dos quais 2.354 na 9ª Zona Eleitoral, e ficou como suplente do PT. A votação regional apresentou pequena elevação em relação a 2022, quando o ex-deputado federal havia recebido 2.208 votos na mesma zona. O crescimento foi de 146 votos, cerca de 6,6%. Apesar do resultado, Policarpo não conquistou uma das cadeiras da bancada federal. Sua votação representou aproximadamente 9,6% do total obtido na Zona 009.
    Coronel Moreno recebeu 3.714 votos no Distrito Federal e 352 na zona. Emílio Kerber terminou com 653 votos no DF, sendo 96 na região. Nenhum dos dois foi eleito. Os números mostram uma diferença expressiva entre o desempenho do candidato federal eleito e os demais concorrentes ligados à cidade. Izalci Lucas obteve sozinho mais votos na Zona 009 do que Policarpo, Coronel Moreno e Emílio Kerber somados.

    Guará não elege senador
    Na disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado, dois candidatos ligados ao Guará participaram da eleição, mas nenhum conquistou mandato. Professor Guilherme Amorim (UP) recebeu 14.861 votos no Distrito Federal, sendo 963 na Zona 009. O resultado correspondeu a 0,46% dos votos válidos para senador no DF e 0,49% na região. Zanata (PSTU) obteve 3.572 votos no conjunto do Distrito Federal, dos quais 236 na Zona 009, equivalentes a 0,11% e 0,12% dos votos válidos, respectivamente. As duas vagas foram conquistadas por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, que superaram as candidaturas de Leila do Vôlei (PDT) e Erika Kokay (PT). Michelle e Bia vão integrar, a partir de 2027, uma bancada do Distrito Federal formada exclusivamente por mulheres. A terceira cadeira pertence a Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022 e com mandato até 2031.
    O resultado representa uma mudança importante na representação do DF no Senado. Além de garantir duas cadeiras ao PL, a eleição fortalece a presença do partido na bancada federal do Distrito Federal, que também contará com três deputados da legenda.

    Governo terá
    segundo turno
    A eleição para o Governo do Distrito Federal não foi definida no primeiro turno. Celina Leão (PP) terminou a votação com 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos, ficando próxima da maioria absoluta necessária para vencer em 4 de outubro.
    Leandro Grass (PT) recebeu 569.930 votos, ou 34,47%, e garantiu a segunda posição. Como nenhum dos candidatos alcançou mais da metade dos votos válidos, ambos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
    A diferença entre os dois candidatos foi de 255.600 votos. Embora Celina tenha encerrado o primeiro turno com vantagem de 15,46 pontos percentuais, o resultado ainda dependerá de uma nova votação.
    O segundo turno também dará aos eleitores do Guará a oportunidade de voltar às urnas para definir o comando do Governo do Distrito Federal pelos próximos quatro anos.
    A eleição de outubro, portanto, ainda não está encerrada no Executivo. Enquanto a composição das bancadas legislativas e do Senado foi definida no primeiro turno, a disputa pelo Palácio do Buriti permanece aberta.

    Representação
    e dispersão dos votos
    O balanço das eleições de 2026 apresenta dois movimentos simultâneos para o Guará. De um lado, a cidade conseguiu manter uma representante na Câmara Legislativa e terá novamente um político de trajetória local na Câmara dos Deputados. De outro, a maior parte das candidaturas ligadas à região não conquistou mandato.
    A votação também mostra que uma base eleitoral concentrada no Guará nem sempre é suficiente para assegurar competitividade no conjunto do Distrito Federal. Candidaturas com percentuais elevados de votos na Zona 009 tiveram desempenhos gerais modestos, enquanto os dois eleitos conseguiram ampliar sua votação em outras regiões.
    No caso de Dayse Amarilio, a reeleição foi acompanhada por uma expansão expressiva de sua votação local e geral. Izalci Lucas, por sua vez, conquistou a cadeira federal com uma votação distribuída pelo Distrito Federal, embora tenha mantido presença relevante na 9ª Zona Eleitoral.
    Os resultados reforçam ainda a importância do sistema proporcional na formação das bancadas. O desempenho individual dos candidatos é apenas uma das variáveis que determinam a eleição, ao lado da votação das legendas e das regras de distribuição de vagas.
    A partir de 2027, Dayse Amarilio e Izalci Lucas estarão em casas legislativas diferentes, com atribuições distintas. A deputada distrital participará da elaboração de leis e da fiscalização do governo local, enquanto o deputado federal atuará na legislação nacional e no controle das ações do governo federal.
    O saldo eleitoral deixa o Guará com dois representantes de trajetória vinculada à cidade e uma votação regional dividida entre diferentes partidos e candidaturas. O resultado também oferece uma referência para avaliar, nos próximos quatro anos, a relação entre os mandatos eleitos e as demandas da população local.

    O post O RESULTADO DAS ELEIÇÕES PARA O GUARÁ apareceu primeiro em Jornal do Guará.

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