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    Direita mantém vantagem no Guará

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    O segundo turno das eleições de 2026 confirmou a preferência da maioria dos eleitores da 9ª Zona Eleitoral, que abrange o Guará I, Guará II e parte da Estrutural, por candidatos de direita e centro-direita nas disputas majoritárias. A governadora Celina Leão (PP) foi reeleita e ampliou sua votação na região, enquanto Leandro Grass (PT) também conquistou novos votos, mas não conseguiu reverter a vantagem da adversária. Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) manteve a liderança, embora Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha reduzido a diferença entre os dois candidatos.
    Na disputa pelo Governo do Distrito Federal, Celina recebeu 57.904 votos no segundo turno, equivalentes a 56,04% dos votos válidos. Leandro Grass alcançou 45.421 votos, correspondentes a 43,96%. A diferença foi de 12.483 votos, superior aos 11.618 registrados na primeira votação.
    Celina havia recebido 47.927 votos no primeiro turno, enquanto Grass conquistara 36.309. Entre as duas votações, a governadora acrescentou 9.977 votos ao seu resultado, e o candidato do PT cresceu 9.112 votos. Apesar do avanço de ambos, Celina conseguiu ampliar a vantagem em 865 votos.
    O desempenho de Grass também indica uma recuperação da votação de esquerda no Guará em comparação com 2022. Na eleição anterior para governador, o petista havia recebido 29.096 votos na 9ª Zona, diante dos 46.059 de Ibaneis Rocha (MDB). Quatro anos depois, Grass chegou ao segundo turno com 45.421 votos, superando em 16.325 votos seu desempenho de 2022.
    A comparação mostra, entretanto, que a redução da distância entre os campos políticos não foi suficiente para alterar a liderança local. A vantagem de Ibaneis sobre Grass em 2022 havia sido de 16.963 votos. No segundo turno de 2026, a diferença entre Celina e Grass foi de 12.483 votos, uma redução de 4.480 votos em relação à eleição anterior.

    Lula aumentou sua votação na 9ª Zona Eleitoral, que abrange o Guará e parte da Estrutural, de 41.961 votos no primeiro turno para 50.380 no segundo. Foram 8.419 votos a mais, um crescimento de 20,1%. Com isso, a diferença para Flávio Bolsonaro, que venceu na região, caiu de 11.218 para 7.261 votos.

    Lula cresce na disputa presidencial
    A eleição para presidente apresentou comportamento diferente. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente no Guará, com 53.179 votos, contra 41.961 de Lula. A diferença inicial de 11.218 votos caiu para 7.261 no segundo turno.
    Na votação de 25 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 57.641 votos, equivalentes a 53,36% dos válidos, enquanto Lula conquistou 50.380 votos, ou 46,64%. O candidato do PL acrescentou 4.462 votos à sua votação inicial, enquanto o presidente cresceu 8.419 votos.
    O resultado mostra que Lula conseguiu ampliar seu apoio em ritmo superior ao do adversário na região. Ainda assim, Flávio Bolsonaro conservou a liderança, repetindo a preferência observada nas duas eleições presidenciais anteriores.
    Em 2018, Jair Bolsonaro recebeu 55.669 votos no primeiro turno na 9ª Zona Eleitoral, correspondentes a 57,5%. Em 2022, voltou a superar Lula na região, com 31.509 votos contra 19.602 na votação inicialmente registrada. Em 2026, Flávio Bolsonaro manteve a vantagem do campo político associado ao ex-presidente, mas a diferença no segundo turno foi menor que a observada entre os dois principais candidatos presidenciais no primeiro turno deste ano.

    Mudança iniciada em 2018 permanece
    Os números confirmam uma transformação no comportamento eleitoral do Guará ao longo das últimas décadas. Entre 1990 e 2014, candidatos identificados com a esquerda e a centro-esquerda obtiveram votações expressivas na cidade, incluindo Lula, Cristovam Buarque, Agnelo Queiroz e Rodrigo Rollemberg.
    A partir de 2018, a direita passou a conquistar maior apoio nas disputas para presidente e governador. Essa tendência se repetiu em 2022 e foi mantida em 2026, mesmo com o crescimento de candidatos do PT entre o primeiro e o segundo turno.
    A comparação entre as duas disputas de 2026 revela diferenças importantes. Enquanto Celina ampliou sua vantagem sobre Grass em 865 votos, Lula reduziu a distância para Flávio Bolsonaro em 3.957 votos. Isso indica que o comportamento do eleitorado não foi idêntico nas eleições para governador e presidente.
    O crescimento da votação de Lula e Grass também precisa ser analisado considerando que o segundo turno reúne apenas dois candidatos. Parte dos votos recebidos por outras candidaturas na primeira votação passou a ser distribuída entre os finalistas, sem que os resultados agregados permitam identificar individualmente essas transferências.

    Abstenção diminui no Guará
    O comparecimento também aumentou entre os dois turnos. Na eleição para governador, foram contabilizados 108.847 votos na primeira votação e 110.760 na segunda, crescimento de 1.913 eleitores votantes.
    A abstenção caiu de 25.212 para 23.322 eleitores, passando de 18,81% para 17,39% do eleitorado apto na 9ª Zona. Os votos em branco para governador diminuíram de 3.889 para 3.090, enquanto os nulos passaram de 4.990 para 4.345.
    Essa redução contribuiu para o aumento dos votos válidos e ajudou a explicar o crescimento das votações dos dois candidatos ao governo. O comparecimento adicional, entretanto, não permite determinar qual candidatura foi mais beneficiada, já que os votos são secretos.
    No conjunto do Distrito Federal, Celina Leão também confirmou a vitória, com 987.142 votos, equivalentes a 57,18% dos válidos. Leandro Grass recebeu 739.130 votos, ou 42,82%. A diferença distrital foi de 248.012 votos.
    Na 9ª Zona, a diferença percentual entre os candidatos ao governo foi menor que a registrada no conjunto do DF. Celina terminou 12,08 pontos percentuais à frente de Grass na região, enquanto a vantagem distrital foi de 14,36 pontos, considerando os percentuais divulgados.
    A leitura desses resultados deve considerar que a 9ª Zona não reúne exclusivamente moradores do Guará. Embora cerca de 91% do eleitorado esteja associado ao Guará I e ao Guará II e aproximadamente 9% à Estrutural, conforme a distribuição informada para a região, os números representam o conjunto dos eleitores inscritos na zona.
    O segundo turno de 2026 consolida, assim, a liderança da direita nas eleições majoritárias do Guará, mas também evidencia que essa preferência não é uniforme. O crescimento de Lula e Grass, somado ao desempenho de candidatos de esquerda nas eleições legislativas do primeiro turno, mostra uma região politicamente diversificada, na qual a escolha dos eleitores varia conforme o cargo e as candidaturas apresentadas.

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