Mineiro de Araújos, Izalci Lucas chegou ao Guará em 1970, aos 13 anos, depois que o pai conseguiu uma casa pela SHIS. Foi na cidade que estudou, constituiu família e criou vínculos que permanecem até hoje. Ex-deputado distrital, secretário de Estado, deputado federal e atual senador, ele volta a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ex-empresário da área de educação, foi fundador da escola São Francisco, um das conhecidas escolas particulares do Guará, na QE 3 do Guará I. A relação com a cidade também permanece por meio da família e das tradicionais peladas no Clube dos Amigos, no Cave
Podemos dizer que o senhor é um filho do Guará. Como começou essa história?
Meu pai veio para Brasília antes da família e morava em um assentamento na Vila Planalto. Depois, teve a oportunidade de comprar uma casa por meio da SHIS, em um projeto destinado às famílias que ajudaram a construir Brasília. Foi assim que conseguimos nossa casa no Guará e meu pai mandou buscar a família.
Cheguei em janeiro de 1970, com 13 para 14 anos, cheio de vontade de conhecer a capital da Esperança. Naquela época, era tudo terra vermelha e muita poeira, o que, para nós, crianças, era uma diversão.

E como foi a vida da família no Guará?
Minha mãe virou merendeira e nós, os filhos, ajudávamos no que podíamos, além de estudar. Fui aluno do Ginásio do Guará, o GG, que ainda estava em construção. Foi aqui também que constituí minha família, tive meus filhos e criei raízes que levo comigo até hoje.
E como começou sua vida profissional?
Eu precisava ajudar minha família e fui trabalhar. Consegui emprego na banca de revistas Pernambuco, na 503 Sul, dos nossos vizinhos e amigos dona Maria e seu José. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. No fim do dia, levava para casa o pão que comeríamos no jantar.
Perto da banca havia o Banco Mineiro do Oeste. Eu conversava muito com os funcionários e soube que havia uma vaga de office boy. Fiz os exames, fui aprovado e, como tinha feito um curso de datilografia, passei a trabalhar como escriturário, cuidando de contas e atendendo clientes.
O banco acabou sendo vendido ao Bradesco. O que aconteceu depois?
Foi um momento de transformação. Um dos melhores clientes do banco me chamou para trabalhar em uma escola preparatória para o vestibular. Trabalhava durante o dia na administração e, à noite, fazia o curso com bolsa de estudos. Foi o início de uma nova etapa da minha vida.
Depois veio o Exército. Qual foi a importância dessa experiência?
Servi ao Exército e saí como segundo-tenente da reserva. Aprendi muito sobre disciplina e organização, mas optei pela educação. Comecei a dar aulas de Matemática, Práticas Comerciais e Contabilidade em escolas de Planaltina, Sobradinho, Asa Norte, Taguatinga, Gama e outras cidades.

Foi na educação que surgiu a motivação para entrar na política?
Nas escolas, percebi a força da educação como agente transformador. Muitos alunos que estudavam comigo conseguiam chegar à universidade. Outros, sem essa oportunidade, não tinham o mesmo caminho. O crédito educativo também abriu portas para muitos jovens, financiando os estudos e permitindo que pudessem se formar.
Eu mesmo fui beneficiado pelo crédito educativo. Essa experiência me mostrou como a educação pode mudar a vida de uma pessoa.
E como foi conseguir sua formação superior?
Não foi fácil. Eu sempre trabalhei e não tinha condições de fazer o vestibular da UnB, que funcionava durante o dia. Como muitos jovens pobres, precisava trabalhar para sustentar a família. Por isso, busquei uma instituição privada e consegui estudar com apoio do crédito educativo.
CEUB e UDF foram importantes nesse processo. Consegui trabalhar, estudar e me formar. Essa trajetória me ensinou que a educação pode criar oportunidades para quem precisa conciliar trabalho, família e estudo.
O post IZALCI LUCAS – Do Guará para o parlamento apareceu primeiro em Jornal do Guará.
